quinta-feira, 16 de agosto de 2012

AS TRÊS COROAS E A CABALA


Nos é relatado no Talmud que existem três tipos diferentes de coroas, que enobrecem o ser humano, sendo que dois estão restritos ao mundo temporal e outro vai além, escapando de qualquer forma de restrição. As duas primeiras são as coroas do Reinado e a do Sacerdócio.

A primeira, foi dada ao Rei Davi, conforme evidenciado por Hashem, através de: "Sua semente para sempre será, e seu trono como o sol perante Mim (Tehilim 89:37)." A segunda, foi dada à Aron, o Cohen-Gadol, quando o Eterno se refere assim ao irmão de Moisés:"Será para ele e, para seus filhos após ele um pacto de sacerdócio eterno (Bamidbar  25:13)!"

No entanto, a mais importante é a terceira coroa, pois esta é a coroa da Torá, pois "encontra-se pronta e posta para quem a quiser", como relata a Mishná. A Cabala nada mais é, do que uma forma que temos de revelar o que está oculto nos escritos, que nada mais são, do que códigos metafísicos que nos auxiliam a desvendar as verdades que foram deixadas por D´us.

Os sábios cabalistas nos informam que sua vivência, é "mais importante do que pérolas (PV 03:15)." Isto nos ensina que seu valor vai além do material, afinal esta palavra "Pérola" no hebraico vem da mesma expressão "interior". De fato a prática da Cabala nos mostra não só escritos, mas uma conexão com aquele que gerou   tudo.

As Três Coroas, estão relacionadas originalmente ao número 3, que em Gemátria está situado no processo da evolução, mostrando que o sacerdócio e o reinado são estágios, entre o poder e a religiosidade. Em nossa existência material, nada é perpétuo, ao contrário da Torá.

O número 3, que representa a coroa da Torá, tem a ver com eternidade, algo que transcende o que é visível ou limitável. Pois representa a excelência e a confirmação de que um fato se completou. A vivência e estudo que nos revelam a Ohr (Luz), que se oculta nos dois números anteriores.

Shalom,

Rafael Chiconeli




terça-feira, 14 de agosto de 2012

GEMÁTRIA E A SUA VIDA


A Gemátria é por excelência a numerologia da Cabala, o sistema mais eficaz e exato que existe neste gênero, uma verdadeira revelação, através dos números e das letras hebraicas. Deste a origem, Hashem nos envia mensagens do poder que as letras têm, quando inicia toda a obra em Bereshit (Gênesis) ou "E no princípio..." quando começa a criar tudo a partir da letra Bet.

Desde então, a conexão entre as letras e os números se faz presente, quando da mesma maneira o Criador, cessa toda a sua obra no sétimo dia, criando o Shabbat e assim também glorificando o número sete. Que vai aparecer outras vezes, em especial, quando representa seu pacto com Noach (Noé), através do Arco-Íris (que também tem sete cores).

É também em Bereshit, que veremos D´us aplicando a Gemátria no patriarca e na matriarca do povo judeu. Seu nome era Abrão (Abram), "Pai Elevado", um belo nome, mas contrastava com o plano de Hashem para ele, afinal a promessa de D´us foi: "E constituirei Minha aliança entre Mim e ti e multiplicar-te-ei enormemente." (Bereshit 17:02).

Então continua o Criador: "Serás pai de uma multidão de nações e não se chamará o teu nome Abrão (Abram) e será teu nome Abraão (Abraham), porque pai de multidão de nações te fiz." (Bereshit 17:04). O nome Abraham tem a Gemátria de 248, e um outro significado, que o adequa à sua verdadeira missão, pois significa "Pai de Povos".

No Caso de Sarai, esposa do patriarca, a missão era outra. Porque se Abraham seria "Pai de Povos", tinha que haver alguém que realizasse a geração destes novos seres humanos, no entanto ela era uma mulher estéril. Afinal Sarai significa "Minha Princesa", o que indicava uma restrição, que Hashem acabou por desfazer.

"Sarai, sua mulher não chamarás seu nome Sarai, porque Sarah é o seu nome. e abençoá-la-ei e darei dela para ti um filho; reis e povos dela sairão". (Bereshit 17:15). Sarah tem o valor numérico "505" e significa "princesa", o que tira a restrição, porque deixa de ser "minha", para ser a de "muitos".

A Partir daí, todos sabemos o que aconteceu: Abraham e Sarah foram pais de Isaac e, de fato, deram sequência à uma série de nações e povos. A Gemátria tem inúmeras aplicações, mas neste caso, foi utilizada para ajustar pessoas à sua real missão nesta existência.

Um nome dentro da Cabala não é só uma palavra através do qual chamamos uma pessoa e sim, uma descrição de sua caracterização espiritual. É possível que através de alteração nas letras, que a pessoa possa ser colocada em seu rumo novamente, assim como obter cura e se conectar com a missão que de fato tem nesta vida. 

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A GEMÁTRIA: rafael@cabalainiciatica.com.br

Rafael Chiconeli

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PARASHÁ ÊKEV




A parashá desta semana fala do que precisamos fazer, para estarmos em unidade com o Criador. Nosso papel fundamental, é bem-dizer a Hashem, sobretudo, através das coisas que ele proporcionou para nós. Então devemos agradecer por tudo o que temos, pois isto revela um poder impressionante de conexão.

Moisés lembra ao povo, os feitos de D´us em relação a eles e às bênçãos que podemos atrair à partir de nossas orações e agradecimentos. O Zohar, nos diz que precisamos realizar este ato, não só para atrair coisas boas para nós, mas também todo o resto do mundo, afinal há uma perfeita interligação entre os seres.

Hashem revela, as entrelinhas que a Torá oculta: "E os que me desprezam, serão desmerecidos". Neste aspecto, este ato, é quando simplesmente não valorizamos àquilo que temos e nos mostramos incapazes de demonstrar o quanto nossas vidas são preenchidas pela bondade do Criador.

O Zohar nos revela, que esta gratidão, atrai bênçãos de cima: " Já nos forneceu uma explicação para isso, como está escrito: `em todos os lugares onde usam o meu nome para ser pronunciado, virei a ti, e te abençoarei` (Shemot 20:21). Depois que a bênção especial vem e repousa sobre a cabeça de QUEM ABENÇOOU, ela se espalha de lá para o resto do mundo". 

Assim, devemos refinar nossas palavras para que elas tenham o efeito necessário e pela força de doação, possam beneficiar à todos. Primeiro através da Kavannah, segundo, sabendo atribuir o agradecimento, de modo a realizar mitzvot, para que possamos "derramar bênçãos de cima para baixo".

Shabbat Shalom,

Rafael Chiconeli



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O MEL E A CABALA




O mel tem simbologia fascinante dentro da Cabala, sendo que o seu uso mais popular nos dias de hoje é em Rosh Hashaná, ano novo, quando comemos maçãs banhadas em mel. Esta é uma forma de Kidush Hashem (Santificação do nome de D´us), que falaremos no momento mais propício.

No mel em si, enxergamos a doçura, o emblema do labor bem empregado, para que algo nobre se concretize. Em hebraico, ela é pronunciada "Dvash", que pela Gemátria, equivale numéricamente à palavra "Av Ha´Chachamin", ou "Pai Misericordioso", que é um dos nomes de D´us.

Isto nos mostra que a conexão com o mel, está ligado diretamente à Chessed, quarta esfera da Árvore da Vida, que está vinculada á bondade do Criador. Como neste mundo também precisamos materializar as coisas, o mel é utilizado como uma "chave", para que possamos atingir o lado misericordioso de D´us.

Por outro lado, sabemos que há uma profunda ligação entre os mundos superiores e os inferiores. Assim, devemos aplicar esta doçura e misericórdia em nossas próprias ações, para trazer mais Luz à este mundo. 

Rafael Chiconeli




sexta-feira, 27 de julho de 2012

PARASHÁ DEVARIM



Esta Parashá nos ensina que Moisés sabia que a hora de deixar este plano espiritual se aproximava e por isso fazia-se necessário conscientizar o povo. Esta passagem nos conta de forma literal que o profeta fez um longo discurso, onde fez observações acerca do comportamento de seu povo ao longo do tempo que passaram pelo deserto.

A Cabala nos revela que devemos compartilhar o que temos com o próximo e que nosso egoísmo é - sobretudo - espiritual. Ele não está simplesmente em você não doar algo, mas em resistir no que diz respeito à realizar uma conexão com o outro. Atuar com todo amor, usando de sinceridade e amor, no sentido de REPARAR, é se conectar.


Assim entendemos que o que o profeta realizou foi "Tochechá", uma correção. Quando ele espiritualmente sentiu que deixaria este mundo, quis compartilhar seus conhecimentos com o povo. Assim, pode ressaltar alguns eventos que se passaram, com aconselhamentos para que o povo realizasse Tikkun.


Hashem nos envia Tzadikim (Justos), para que possamos nos elevar através dos exemplos. Exerceu Moisés seu papel de mestre, utilizando seu verbo para emitir palavras sinceras, mas, sobretudo, doces para com aquele povo. Seguindo um dos maiores preceitos que um mestre cabalista deve exercer: "Hochêach Tochíach Et Amitêcha" ou "Corrigirás o teu companheiro".


A Cabala entende que tudo está interligado, somos um único organismo e o ato de um não afeta somente ele, mas todo o resto. Portanto, quando nos atentamos à correção das atitudes, tanto no aspecto micro, quanto no macro, proporcionamos equilíbrio a este mundo. Assim, estamos colaborando para que Teshuvá (retorno), aconteça o mais rápido possível.


Shabbat Shalom,


Rafael Chiconeli



sexta-feira, 13 de julho de 2012

PARASHÁ PINCHAS


Esta parashá nos conta que as mulheres midianitas seduziram homens judeus para que adorassem o ídolo Baal, o que gerou grande destruição no povo, onde mais de 24.000 morreram devido à uma grande epidemia. A passagem nos conta em seu clímax que Pinchas matou Zimri, príncipe da casa de Shimeon, que praticava idolatria junto à Kazbi, princesa midianita, que também foi morta.

A Torá nos revela que este ato pôs fim à praga, nos ensinando que Hashem é único, não há D´us como ele e nada faz paralelo ao Eterno. Assim, conta-se que o desacreditado Pinchas foi recompensado por sua fidelidade ao Eterno, sendo promovido Cohen, sacerdote.

Hashem diz: "Recompensá-lo-ei neste mundo e no Mundo Vindouro. Até agora, Pinchas foi apenas um Levy. Tornar-se-á um Cohen a partir de hoje." (Midrash)


A Cabala nos revela que a chave do ato de Pinchas é que ele não buscava auto-gratificação, seu único objetivo foi de doação (quis infundir cura e libertar o povo) e por isso Hashem viu a grandeza se sua ação. Pinchas representa nesta passagem a essência da ausência de ego. A cura em seu sentido mais belo.

Como o Eterno afirma: "Pinchas terá uma vida muito longa." (Midrash)

Aqui, entendemos que a vida longa da qual D´us não é só a saúde neste mundo, mas sim uma saúde espiritual. Fala das futuras encarnações de Pinchas, explicando que ele a partir dali viria como um grande profeta no futuro. 

D'us proclamou: "Mais que isso, porque Pinechas trouxe paz entre os judeus e seu Pai no Céu, ele estabelecerá a paz no futuro. Aparecerá como o profeta Eliyahu (Elias), de quem está escrito." (Malachi 3:23)


Por isso, a conexão de Pinchas tem o grande potencial de nos trazer cura não só material, como espiritual. A verdadeira cura que o Eterno deseja para nós.

Shabbat Shalom!

Rafael Chiconeli

OBS: AMANHÃ SÁBADO, REALIZAREMOS A CONEXÃO DE CURA DE PINCHAS, PRESENCIAL EM SP (16H) COM NOSSOS ALUNOS. O PESSOAL DA LISTA, RECEBERÁ POR E-MAIL.

sábado, 7 de julho de 2012

PARASHÁ BALAC


A Parashá desta semana nos mostra o quanto somos passíveis de ataques, por parte de terceiros e que embora, muitos de nós tenhamos medo da violência de outrem, os ataques espirituais são mais perigosos, por serem invisíveis e silenciosos. Esta passagem inicia com Balac, rei de Moab que desejava destruir Israel e por conhecer a força espiritual deste povo, usou uma estratégia muito inteligente.

Muitas vezes, as pessoas podem não se relacionar bem, mas quando os propósitos são malignos são capazes de se unir, se prejudicar um terceiro for de seu interesse comum. Assim, aconteceu, pois Moab e Midiã eram inimigos e isto não impediu que Balac os procurasse para destruir Israel. Assim, o rei dos Moabitas procura o feiticeiro Bilam, para que lance maldições contra Israel, pois este conhecia "o poder das palavras".

A Cabala nos ensina que as palavras são uma imensa manifestação de poder, a Torá, em Bereshit nos mostra toda esta força, quando Hashem é mostrado criando todas as coisas. Tal qual D´us, nós também podemos criar coisas com o uso das palavras, assim como destruir. Por isto, praticamos o refinamento, utilizando nossa força criativa em prol do próximo.

A Parashá vai nos contar que Bilam trabalhava por dinheiro, mas também possuía muito ódio pelo povo de Israel. Isto se dá pela Luz, sempre que nós irradiamos Luz, algumas pessoas conseguem enxergar o mesmo e a buscam. Por outro lado, outras são cegadas por ela, e ao invés de despertar melhores sentimentos e busca, elas passam a odiar aquilo que reluz.

Na conclusão, uma lição importante. Bilam pede a Balac toda a sorte de animais e ergue altares para um sacrifício, onde deveria amaldiçoar o povo de Israel. Havia toda uma expectativa do rei, para que seu intento de destruir os judeus se realizasse. Porém, este não conhecia os desígnios do Eterno.

Conta-se que ao invés de proferir maldições, Bilam acabou pronunciando bênçãos: "Como amaldiçoarei quem não amaldiçoou a D´us? Como farei enervar quem não enervou o Eterno?" Isto deixou Balac furioso, mas por mais que tentasse, o feiticeiro só conseguia bem dizer ao povo de Israel. No final, o resultado foi a ira inútil de Balac: "eis que os abençoaste três vezes!"

A Cabala nos ensina que qualquer tipo de Lashón Hará (maledicência) ou Ayin Hará (mau olhado), sempre se transformará em bênçãos se andarmos nos propósitos de Hashem. Não importa o que façam ou falem, já que o Criador está acima de todas as coisas, haverá um espelho que refletirá toda a perversidade para quem as enviar.

Shalom!

Rafael Chiconeli

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ELO-HIM HAYM


Estudando profundamente a sabedoria da Cabala, aprendemos a buscar o significado profundo das coisas, o que está além do exoterismo e se constitui no entendimento verdadeiro, ou Sod. Nós, cabalistas, buscamos em tudo atingir a "Elo-him Haym", ou "D´us vivo".

Cabala é o contato direto, um método de refinamento que nos permite atingir o sagrado. Há inúmeras leituras cabalísticas sobre eventos retratados na Torá e em outras escrituras. As leituras sobre o trabalho no grande Tempo de Jerusalém são muito profundas e abrem as portas para o cabalista.

As "oferendas de vinho no altar", esotéricamente, simbolizam o "espírito alegre" que o cabalista deve trazer ao iniciar sua oração. "Acender as luzes", associa-se ao fato de "iluminar" a centelha da Neshamah, o DNA de D´us que todos nós temos. A "Terra Santa", é atingir o estado de "Devekuth", ou a iluminação buscada e "Egito" são as distrações do Mundo de Malchut, qjue atrapalham nossa percepção.

Ao procurar por esta verdade e interpretar profundamente as mensagens cifradas que Hashem nos deixou, somos capazes de atingir o verdadeiro estado de concentração. Seu nome é "Elo-Him Haym", ou o "D´us Vivo". A mente se silencia, vibrando unicamente em consonância com a essência divina.

O grande Rabino Shimon bar Yochai, desenvolvia sabiamente meditações utilizando como inspiração os materiais usados para a construção do Grande Templo. Até hoje estas avançadas ferramentas de espiritualidade são usadas, para que possamos antever o estado de perfeição que nos aguarda.

Shabbat Shalom,

Rafael Chiconeli


quarta-feira, 4 de julho de 2012

PREDICAÇÕES DO AMOR


Na senda iniciática que a Cabala nos revela, aprendemos que há importância nas coisas simples e que muitas coisas aparentemente importantes, são simples. Nossos mestres nos fizeram enxergar isto em suas lições e vivenciamos este caminho em nossas escolas, com profunda reverência.

O ser humano deve buscar a unidade com Hashem, mas não deve subitamente esperar até que isto aconteça "num belo dia". Isto já começa agora, a partir de cada Tikun que realizo e de cada sinal de reatividade que detecto e anulo em mim. O Êxtase está em "saborear aos poucos" e unidade com o Criador, onde a escalada de prazer vai aumentando gradativamente, até seu ápice.

Isto em Cabala Iniciática, é levantar o véu que esconde D´us do homem. Mas à medida que passamos a enxergar Hashem em todas as criaturas, objetos, atitudes iniciamos a sensação de unidade, que muitas vezes julgamos ilusório ou que "está muito longe de acontecer". A vivência cabalística nos diz frontalmente que não se trata de utopia, mas sim, de AQUI E AGORA.

Por isso estabelecemos grupos de estudo e ensinamos Cabala, por crer na revelação de Hashem à nós e pela profecia que nos chegou através de grandes Chachamim, como Elyahu e ARI. A partir do momento em que se atinge o Devekuth Místico, outras pessoas devem ser preparadas para recebê-lo.

O mestre fortalece seu aluno nas horas difíceis e de dúvida, não o inicia, mas o auxilia em seu processo iniciático, pois lhe dá a mão. Reconhece nele, exatamente o que um dia foi quando aprendiz, por isso faz com que seu aluno desenvolva sua capacidade de oração. Quando preciso, une sua oração à oração do aluno, para que o poder da prece seja fortalecido.

 As instruções cabalísticas, todas elas, são predicações do amor.

Shalom!

Rafael Chiconeli




terça-feira, 3 de julho de 2012

O BAHIR

cia73i3.bmp (169014 bytes)

O Bahir, ou "Livro da Luz" é um escrito do século I da Era Comum, que traz as revelações profundas do Rabi Nehuniah ben Hakana. Nos é revelado aqui, a beleza da meditação cabalística e como atingir as verdades profundas que são capazes de nos carregar até o Trono do Eterno.


Sua importância está no fato de sugerir a busca de D´us num lugar em que pouquíssimos de nós está disposto ou acredita que se deva procurar: "é no coração do discípulo que o Rei habita". O que quer dizer que devemos procurar por Hashem em nosso interior, antes de empreendermos tantas buscas infrutíferas.


Havia na época do grande mestre cabalista, um profundo duelo que persiste nos dias de hoje: Conhecimento x Pensamento. Ben Hakana nos conta que o pensamento é o "emissário do ser humano", permitindo que o mesmo se expanda por toda a extensão, até chegar à D´us. O mestre defendia: "pode-se atingir o limite do conhecimento de uma pessoa, mas não o limite de seu pensamento.


Através de seu estudo e, sobretudo de sua transmissão, aprendemos que o ponto maior do ser humano é a "curiosidade espiritual", que justamente vai levá-lo a procurar pelo Criador. Através do amor profundo, a pessoa gerava em si mesma o anseio por partilhar da unidade com D´us e todo o processo se iniciava.


Amorosamente, o Rabi Nehuniah despertava o melhor de seus alunos e os conduzia verdadeiramente à Luz, aquela que surgiu no meio do vazio representado pelo Tzim-Tzum. Deixa-nos uma importante instrução, não pode haver nada de verdadeiro numa busca, se não houver, de fato, anseio.


Shalom,


Rafael Chiconeli



sábado, 30 de junho de 2012

A VERDADE MORA NO UM


Buscamos no estudo da Cabala, obter uma consciência superior, que possa realmente refinar nosso vaso receptor, a ponto de ele ser o perfeito receptáculo para Hashem. Chamamos isto de  Kli (Vaso), pois dentro de nosso conhecimento, o ser humano foi feito para que seja habitação para a Shekinah (presença divina).

É uma necessidade primordial nossa desejar esta união com o Criador e está acima de nós, porque é o nosso DNA espiritual. A Cabala nos explica que no princípio tínhamos Tzurá (forma)  de Hashem, porque viemos dele. Após a separação, para que pudéssemos nos desenvolver, pouco a pouco, perdemos esta equivalência com ele, até nos distanciarmos por completo.

Os sábios cabalistas do passado como o Ari, nos ajudam a responder estas questões com a seguinte sentença: "Hashem Hu Echad, Ushmo Echad", ou seja "D´us é um e seu nome é um". Esta é uma frase muito profunda que encerra segredos fascinantes da Cabala.

Hashem mora na unidade e não devemos nos separar dele. Tudo o que fizermos deve ser em busca desta unidade, agindo como o Criador e desejando em prol do todo, ou seja, infundindo desejo de doar em nossas ações. Isto permitirá junção entre D´us e o ser humano. 

Logo, nossas Neshamot (almas) experimentarão a sensação total de prazer que o riador quer nos gerar, o que significa Devekuth (aderência) a Lechud (unificação). De fato, a sensação única de prazer proveniente da verdadeira conexão com o Eterno.

Shalom!

Rafael Chiconeli

quinta-feira, 28 de junho de 2012

BUSCAR À D´US


Existe um grande abismo e até um certo questionamento sobre os caminhos que nos levarão até o Eterno. De um lado nós temos a Torah e o Talmud, assim como temos também o Zohar e os demais escritos cabalísticos. Por muito foi dito que sem a a literalidade não podemos encontrar Hashem.

Foi preciso que houvesse muita evolução em nossas almas e que muitos mestres viessem para este grau de existência para que tivéssemos uma visão maior de que a Cabala nos mostra as verdades que estão ocultas nas escrituras. Isto nos é aberto, somente ao enxergarmos que a Torá é um profundo código, que nos dá acesso á uma visão supra-lógica de como foi formado o universo.

Rabi Shimon bar Yochai nos revela no Zohar: "E aqueles que me procuram, achar-me-ão". Nesta mesma passagem, é perguntado: "Onde uma pessoa encontra o Criador"? As escrituras nos revelam que o acharemos na Torá, mas não simplesmente por abrí-la ou por contemplarmos Parashiot. Precisamos realmente nos aprofundar ESPIRITUALMENTE nela, afinal é dito "Tu és um D´us que te ocultas".

Seguindo no mesmo rumo Rav Chaim Vital afirmava que uma pessoa não necessitava dominar todos os segredos da Halachá (Lei Judaica), através da Mishná e da Guemará, para que pudesse ingressar nos ensinamentos da Cabala.  Ele afirmava: "na verdade um indivíduo não deve dizer que só estudará a Cabala, se antes dominar a Torá, a Mishná e o Talmud.

Isto que digo não é para dizer que as leis da Torá devem ser abandonadas, mas que a Cabala nos permite enxergá-las, de fato como elas são. Ou seja, nos revela os segredos da Torá física e nos revela a verdadeira Torá, que é essencialmente espiritual e a Luz que nos levará as correções.

Como o Rei Davi transmitiu ao seu filho, Salomão: "conhece o D´us de teu pai e serve-O".

Shalom,

Rafael Chiconeli





quarta-feira, 27 de junho de 2012

AUTO-MALEDICÊNCIA


Nem sempre o pior tipo de Lashón Hará proferida é aquela que atenta contra o outro, no caso de pessoas que dedicam sua existência à falar mal do semelhante. Há um caso mais sério, que é quando dedicamos nossa vida a falar mal de nós mesmos e de nossas conquistas. Como se tudo o que tivéssemos fosse sempre menor e indigno de prestígio.

Conta-se que em Jerusalém havia um grande Chacham (sábio) e que muitas pessoas gostavam de se aconselhar com ele. Muitos diziam que suas idéias eram mirabolantes e até - em certo ponto - loucas, mas que sempre dava certo. Então, quando pediam para procurar o Rabi, que executassem as suas ordens, por mais absurdas que parecessem.

Então, certa vez, um homem muito pobre procurou o mestre, pois não aguentava mais as condições nas quais sua família vivia. Ele relatou que era infernal viver num casebre de cômodo único com dez filhos e a esposa, pois ninguém tinha espaço, privacidade ou conforto.

O mestre o ouviu atentamente os problemas do homem e logo, perguntou:

- Vocês têm uma vaca?

- Vaca? Perguntou o homem, sem entender nada. Sim, temos uma vaca leiteira que nos supre com leite e derivados.

- Pois bem, pegue então sua vaca e coloque-a dentro de casa. Deixe-a em casa durante uma semana e depois retorne para falar comigo.

- Tudo bem, assentiu o homem, incrédulo com o conselho do Chacham.

Havia passado uma semana e o homem voltou desesperado, para falar com o mestre. Então o sábio perguntou:

- Como está tudo?

- Está um inferno! Minha vida já era ruim, agora ficou pior com aquela vaca em casa mugindo, fazendo necessidades e disputando o pouco espaço que já tínhamos. 

- Pois bem. Agora tire a vaca de casa e a mantenha assim, em uma semana retorne para falar comigo, disse o Rav.

Passada a semana, o homem retorna à casa do sábio com um ar totalmente diferente. Parecia descansado e feliz, mal lembrava aquele que procurara o sábio dias atrás. Então o mestre perguntou:

- Como anda tudo?

- Nunca estive tão bem! Desde o dia em que a vaca saiu de nossa casa, a vida mudou. Temos lugar para todos e descobrimos quão espaçosa é a nossa casa!

Shalom,

Rafael Chiconeli




terça-feira, 26 de junho de 2012

SEMPRE CRESCENDO


Há uma história que nos ensina muito sobre relações entre pessoas e o quanto muitas vezes, podemos aprender, mesmo em coisas que parecem simplesmente de oposição. Nestas situações, podemos acreditar que somente as coisas boas e palavras bonitas vão nos ensinar. Nem sempre é o caso.

Um cabalista era muito respeitado por sua comunidade e querido pelos ensinamentos que proporcionava às pessoas, através da luz de sua sabedoria. Todos na cidade vinham buscá-lo em busca de seus conselhos, que diziam serem milagrosos. Não havia uma pessoa naquela localidade que não conhecesse a fama do Rav.

A não ser por Davi. Ele era aquele que não se furtava em contradizer todas os ensinamentos do cabalista e apontava todas as falhas que via em seus ensinamentos. Embora ninguém concordasse com Davi, ele seguia o tempo todo tentando tirar o Rav do sério com suas conclusões.

Um dia Davi morreu e durante o enterro todos notaram que o cabalista estava profundamente triste. 

- Por que tanta tristeza Rav? Ele vivia colocando defeitos em tudo o que o senhor ensinava. Não haverá de fazer falta à nossa comunidade.

Aí, o sábio cabalista olhou para o interlocutor e falou:

- Não lamento por Davi, que morreu e foi fazer companhia a Hashem, mas lamento por mim. Enquanto todos me reverenciavam, ele me desafiava e eu era obrigado a melhorar. Agora que ele se foi, tenho medo de parar de crescer.

Shalom,

Rafael Chiconeli

domingo, 24 de junho de 2012

FALAR À ALMA



Nossa maior dificuldade é falar à alma, já que nossa forma típica de comunicação é com o cérebro. Enxergo a complicação que é o entendimento humano, simplesmente porque ainda que falemos com o outro nos comunicamos como se estivéssemos falando conosco mesmos.

Sim, esta é uma outra ação do egoísmo, falar com o outro e querer satisfazer a si próprio como se o outro tivesse que vislumbrar tudo como nós. No final, temos grande probabilidade de atropelar o interlocutor e não atingir exatamente o que queremos que é estabelecer um vínculo.

Por isso a comunicação cabalística é com a alma da pessoa. Isto possibilita que todos os padrões caiam por terra e que se possa estabelecer um real vínculo entre os que participam do diálogo. O entendimento gera Luz e esta Luz nos coloca em rota de colisão com a energia do amor.

Quando mais entendemos, mais temos prazer, porque o suprasumo desta sensação se dá através da consciência. Ao obter isto, adquirimos a sabedoria necessária para que nossos hábitos em outras parcelas da vida sejam aprimorados. A própria correspondência nos informa que a Língua se posiciona exatamente na esfera de Malchut.

Isto nos diz que a principal forma de refinamento neste mundo é aprimorar nossa comunicação, evitar Lashón Hará e infundir amor em nossas conversas. Quando as almas falam, nada mais precisa ser dito, apenas sentido e experimentado.

Shalom!

Rafael Chiconeli

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O ÊXTASE E A CABALA


Um dos grandes méritos dos sábios cabalistas é levar a Cabala consigo, pois ela não pertence a alguém específico, mas à toda humanidade. Quando o cabalista a leva, é permitido que também a dissemine, em especial pelo seu exemplo de retidão, e depois, pela responsabilidade em passar o conhecimento à quem estiver preparado para adentrar.

A Kavannah não é algo só para utilizarmos em isolamento, mas em todos os aspectos de nossa vida, o que significa não somente ser parte do processo, mas SER O PROCESSO. Significa vivê-lo com alegria, entusiamo e refletir o bem que a Cabala faz, O CABALISTA É LUZ E A LUZ REFLETE.

Quando vivemos isto através do estudo e vivência corretos, conseguimos enxergar D´us em cada coisa com a qual nos deparamos. A vida deixa de ser algo comum do dia a dia, para tornar-se um experimento fantástico, o que nos mostra o quanto a Cabala é uma ciência.

Nós aprendemos que a felicidade é resultante do entendimento dos planos de D´us para nós. Isto é multiplicado, à medida em que partilhamos esta visão com o próximo e trazemos a Shekinah divina para mais perto. Um grande Rabi dizia: "A oração só é aceitável a D´us se fluir de um coração feliz". Precisamos vivenciar isto.

Por isto, em nossas práticas, fortalecemos nosso vínculo com Hashem, através da celebração de nossas vidas, a confiança em nosso papel na dinâmica do mundo. Aplicamos em nossa vivência a Devekuth (subordinação total) a D´us, que nos torna um com ele e com as demais criaturas que dele se originaram.

Shabbat Shalom!

Rafael Chiconeli


quinta-feira, 21 de junho de 2012

O MAPA ASTRAL CABALÍSTICO


A Cabala acredita que todos temos um papel nesta existência e que estes planos vão de acordo com as Tikkunin (correções) que temos que desenvolver nesta existência. Entender como se deu a formação do universo e a influência que os astros exercem sobre a pessoa é algo fundamental para que entendamos quem nós somos.

Segundo a Cabala, Abraham teve todos os mistérios revelados por D´us e estas revelações foram passadas de boca a ouvido entre os patriarcas, até os dias de hoje. Esta é a grande sabedoria que nos ensina a astronomia e astrologia, sob o ângulo verdadeiro, da "boca" de quem criou tudo o que conhecemos e aquilo que ainda estamos para conhecer.

A astrologia cabalística é diferente da convencional e traz interpretações sublimes, que concede à pessoa uma forma de obter autoconhecimento e ao mesmo tempo uma forma de tomar as melhores decisões. Entendemos através dela, que nossa liberdade de ação não se esvai por causa dos astros, mas podemos aproveitar o melhor da influência deles.

Sempre que faço um mapa cabalístico consigo entender as possibilidades que se abrem na vida da pessoa e as potencialidades que a mesma têm. Para a Cabala os mistérios se desvelam no momento em que estudamos profundamente os desígnios de D´us ao ocasionar nosso nascimento numa determinada data.



terça-feira, 19 de junho de 2012

COMO ME RECONCILIAR COM ALGUÉM?


Nosso ensinamento não tem distanciamento porque o amor é uma força necessária e que estabelece conexões invisíveis para que os seres humanos verdadeiramente se entendam. Quando aplicamos isto em nossas vidas, refinamos nossas atitudes e encontramos as melhores palavras para expressar-nos.

Muitas vezes buscamos reconciliação com alguém que amamos, ou alguém que realmente nos ama quer saber como se aproximar de nós. Porém, nenhum dos lados acaba por não ter sucesso, exatamente por não saber quais seriam as palavras apropriadas para se usar.

Na Cabala, utilizamos bem o exemplo de Hashem, que em sua Torah, inicia com a palavra "Bereshit" ou "No princípio", onde vemos que seguidamente o Criador ordena que a Criação aconteça. A maior lição cabalística, não é o imperativo das ordens de D´us, mas sim a entonação que ele usou, para que as palavras gerassem exatamente o que ele queria.

Isto nos mostra, que precisamos entender como colocar as palavras com relação às pessoas que queremos tocar. Não tente ordenar as pessoas, você deve colocar amor nas palavras e olhar nos olhos das pessoas. Quando você entra com este desejo, deixa de falar simplesmente com o cérebro e passa a falar com a alma da pessoa.

Quando isto acontece, o amor unifica os dois seres e automaticamente acontece uma ligação com o Criador, e uma conexão com a Sefirah Binah. Isto faz com que todas as diferenças fiquem para segundo plano e só reste o amor, que tudo iguala, compreende e reconcilia.

Shalom,

Rafael Chiconeli


PALESTRA DE CABALA (SP)



Toda a Luz da Cabala para vocês!


Neste fim de semana agora, nos dias 23 e 24 de junho (sábado e domingo) estaremos em SP falando de cabala em dois eventos.


Seguem as informações:



23/06- ESPAÇO MENTE NOVA (SP) – PALESTRA: “A CABALA E O PROPÓSITO DA NOSSA EXISTÊNCIA”, ÀS 18H – RUA CLAUDINO ALVES, N: 13, BAIRRO SANTANA- SÃO PAULO – CAPITAL – EVENTO GRATUITO  DO MENTE NOVA, Infos: info@mentenova.com 
24/06- EXPO SAÚDE ALTERNATIVA (SP) PALESTRA: “A CABALA PARA A CURA DO CORPO E DA ALMA”, ÀS 15H ( NO AUDITÓRIO 3) – CENTRO DE EXPOSIÇÕES IMIGRANTES – RODOVIA DOS IMIGRANTES, KM 1,5 – SÃO PAULO – SP. infos: http://www.exposaudealternativa.com.br/
Shalom,


Rafael Chiconeli

domingo, 17 de junho de 2012

PARASHÁ CÔACH



A Parashá desta semana nos conta sobre como Côach utilizou seu dom de persuasão para manipular os judeus contra Moisés e Aron, seu irmão. Havia um objetivo claro por parte deste homem em fazer surgir uma aura de descrença sobre tudo o que o profeta havia ensinado.

A Cabala nos conta que o Satan existente em nós trabalha sempre no sentido de buscar dúvidas e erros, para que duvidemos daquelas coisas que realmente existem para o nosso bem. É o famoso "procurar chifre na cabeça de cavalo" ou se deixar levar por Lashón Hará que alguém plantou.

Neste caso o tema enfocado é a confiança que deve haver entre discípulos e mestres. Muitas vezes, o mestre fala por uma língua que o aluno não compreende, o que não quer dizer que não seja verdadeira, mas que está num nível de compreensão que o aluno não atingiu. Mas justamente por equívoco coisas negativas acontecem.

Moisés instruía o povo através do que lhe era passado por D´us e assim, transmitia verdades que muitas vezes eram incompreensíveis. Coach se aproveitou deste desconhecimento para plantar a história de que Moisés queria reinar sobre o povo e que não tinha o Eterno ao seu lado.

A Cabala nos ensina que todas as almas fazem parte do Criador, pois de lá se originaram. Cada uma tem sua função e seu papel, suas qualidades e limitações. Não devemos querer o que é do outro e sim o que é reservado à nós. Coach simplesmente invejava Moisés e seu papel, mas o que devia fazer era cumprir a sua função com desenvoltura.

No final, tanto Coach como seus seguidores são castigados pelo Eterno, sendo sugados pela terra. Isso nos ensina que todo tipo instromissão na relação sagrada que descrevemos, ao final, cairá por terra.

Shalom,

Rafael Chiconeli


sexta-feira, 15 de junho de 2012

"FAREMOS E OUVIREMOS"


Existe uma história cabalística que relata a escolha da montanha qual Moisés receberia a Torah, fonte de Luz ininterrupta para todos nós. A Cabala nos ensina que tudo o que D´us criou tem um papel a desempenhar e naquele exato momento as montanhas da região "disputavam" para saber qual delas seria o palco da Outorga das escrituras.

Então elas discutiam entre elas, quem teria o privilégio:

- Eu sou a melhor. Tenho muitas árvores.

- Melhor sou eu, tenho muitos rios. Sem água os seres humanos não vivem.

- Sou a mais alta, por isso sou a melhor, disse uma outra.

Há pouca distância um monte ouvia a discussão toda calado e não concordava. Por que tanta necessidade de aparecer se haviam coisas mais importantes para se fazer?

Então conta-se que o Criador ficou fascinado pela humildade do pequeno monte, e por isso ele foi escolhido para sediar Shavuot e marcar a redenção de um povo que começava a aprender o sentido real da liberdade.

A Cabala conta que esta sabedoria sublime foi oferecida à outros povos anteriormente, mas o grande mérito da recepção da Torah, está na humildade. Aos outros quando houve o oferecimento por parte de Hashem, sempre eram colocadas pré-condições e empecilhos, mas o povo que de fato recebeu a Torah, foi o único que aceitou sem questionamento.

Eles disseram: 

- Faremos e ouviremos. Cumpriremos e obedeceremos todos os Mandamentos da Torá, apesar de ainda não os termos escutado; ambos, os preceitos negativos e os positivos.

O Talmud nos mostra que é proposital que o "faremos" venha na frente do "ouviremos". Isto significa a total entrega e a fé, ainda que você não conheça as condições, ou seja é a total confiança nos desígnios do Eterno.

O Midrash nos conta, que o Eterno ficou tão tocado com a fé de seu povo, que disse: 

Quem revelou a Meus filhos o segredo de pronunciarem 'faremos' antes de 'ouviremos', uma expressão que é da linguagem dos anjos?"

SINTONIA DE HOJE: Seja humilde e dê crédito ao ensinamento que pode lhe transformar antes de colocar inúmeras barreiras e descrença.

Um Shabbat Shalom!

Rafael Chiconeli

quinta-feira, 14 de junho de 2012

É TUDO DO ETERNO


Neste grau de existência, ainda limitados pelos inúmeros véus que inibem nossa consciência, muitas vezes somos enganados por nossos sentidos e acabamos por ter contatos com coisas que acreditamos que vimos, mas não vimos. Assim como achamos que somos certas coisas, que não passam de equívoco.

Da mesma maneira que o povo judeu passou muito tempo no Egito, em sua escravidão até que Moisés surgisse, muitos de nós permanecem ainda no Egito Espiritual. Esta palavra em hebraico, aparece na Torah, sob a escrita de "Mitzraim", que também pode ser traduzida como "estreitamento". Ou seja, uma visão limitada das coisas.

Daí, olhamos para este mundo e pensamos nas coisas que queremos e quando as obtemos chegamos à conclusão de que tudo de fato é nosso. Conclusão errada, é tudo do Eterno e a Cabala nos ensina a compartilhar aquilo que está sob nossa proteção, num projeto sublime de prover justiça ao mundo.

A Visão da Cabala é que tudo pertence à D´us, porque ele é o Criador, sendo assim, nós somos como procuradores dele. Temos autorização para administrar seus bens, desde que isto seja feito de maneira sábia, coerente com os valores que eles nos deixou. 

A Cabala nos ensina que o Eterno destinou à nós a tarefa de ajudá-lo no aperfeiçoamento desta obra e então você tem algumas opções: pode permanecer sendo somente uma criação de D´us ou pode ser sócio dele em seu projeto. 

Entrar na dinâmica da doação é buscar equivalência de forma com o Criador e esta sociedade está na base de nossa evolução.

Com muito amor,

Rafael Chiconeli

quarta-feira, 13 de junho de 2012

NÃO ESCUTE SOMENTE, OUÇA!


Nós nos elevamos na Cabala, conforme nos aproximamos da percepção maior que é Ohr hassidim, ou a Luz da Fé, que tem uma ligação profunda com o sentido com a audição. Ele é o sentido da obtenção das revelações, porque está ligado á nossa total atenção e mais do que a visão, deve ser apurado.

O máximo das instruções Cabalísticas são orais. O relacionamento entre mestre e aluno se guia principalmente pela instrução e contato direto, pois você pode ter livros, estudos e tudo o mais, mas não havendo este contato, que é guiado por uma relação de amor e confiança não haverá vivência.

Uma história Cabalística nos explica sobre a importância de não só escutar, mas de ouvir. Um judeu abastado veio de muito longe ao encontro de um cabalista, pois queria instruções sábias de como guiar seus negócios de acordo com a sua profunda sabedoria. O místico ouviu pacientemente tudo o que o homem lhe disse, até que tivesse espaço para falar.

O cabalista deu instruções sobre os negócios do homem, que o observava atentamente, anotava certas coisas e assentia com a cabeça. Fez comentários, apreciou profundamente as instruções do cabalista e o agradeceu. Mas quando ia embora o místico o chamou de volta, pois percebeu que, ele precisaria realizar sérios Tikkunin em suas relações familiares. 

O homem olhou para o cabalista, mas seu olhar era vazio e seco, como diz o título do texto, ele escutava, mas não ouvia. Logo, não estava interessado em absorver nada do que o mestre dizia. Ao terminar, ele olhou para o  místico e disse:

- Embora o senhor seja profundamente versado, suas idéias não se aplicam à minha vida hoje.

Ouvindo isto, o cabalista respondeu:

- Não consigo entendê-lo. Viajou cinco mil quilômetros em busca de meu conselho nos negócios, e está disposto a aceitar estes conselhos embora eu esteja longe de ser um homem de negócios. Mas quando se trata de Tikkun, área na qual meus antecessores e eu somos especialistas, não quer me dar ouvidos.


SINTONIA DE HOJE: Não escute somente, ouça!


Shalom!


Rafael Chiconeli





terça-feira, 12 de junho de 2012

O QUE É NOSSO É DO OUTRO


Devemos aprender que certas coisas são nossas e outras não. Por aquilo que é nosso, devemos lutar, mas de uma maneira diferente da qual as pessoas estão acostumadas. Significa que devemos aproveitar o máximos daquilo e lhe dar utilidade maior, através do compartilhamento. A sensação de partilhar é algo incrível.

Existe uma história cabalística que conta sobre a luta de Moisés em conquistar algo que lhe era merecido, mas que no fim, serviria a todos nós. Conta-se que por ordem de Hashem, o profeta se elevou para receber a Torah e para sua surpresa deu de encontro com a insatisfação dos anjos.

Eles diziam: 

- O homem é malvado mentiroso e pecador. A Torah deve permanecer conosco no paraíso".

Porém, Moisés esperou que o silêncio se fizesse e logo, começou a falar:

- Anjos do Paraíso, a Torah diz: "Eu, o Senhor, os tirei das terras do Egito". Vocês estiveram no Egito? Por acaso foram escravor do Faraó?

Todos os olhos do paraíso se voltaram para ele, mas o profeta não se intimidou:

- A Torah diz: "Não terão outros deuses além de mim". Por acaso vocês vivem entre pagãos de forma a servir outros deuses"? A Torah diz: "Guardarão o Shabbat". Vocês trabalham, de alguma forma que exija descanso?

Então os olhares de reprovação foram desaparecendo entre os seres celestiais, até que Moisés concluisse:

- A Torah diz: "honrarás teu pai e tua mãe". Vocês têm pais? Percebem como a Torah não lhes serviria para nada?

Assim, os anjos compreenderam e reconhecendo sua humildade frente ao profeta, cada um deles lhe ensinou algo, por perceber que em tudo o que Moisés disseram havia um profundo amor, em levar este conhecimento sublime para a Humanidade.

Shalom,

Rafael Chiconeli


segunda-feira, 11 de junho de 2012

AO PRÓXIMO


Falamos muito da necessidade de prazer que nós temos e que o ser humano nasce com dois desejos naturais, que provém de sua origem, D´us. Queremos por um lado obter o máximo de prazer e, por outro lado, obter o mínimo de sofrimento. Mas isto só poderá ser conciliado de verdade quando alcançarmos o desejo de compartilhar.

Há uma história cabalística que fala sobre isto. Certa vez, havia um Rav que havia obtido muitos méritos, devido à sua entrega no estudo e no ensino da Cabala. Seus alunos o amavam e várias pessoas estavam procurando o caminho dos Tikkun, por intermédio de sua orientação amorosa.

Conta-se então, que isto emocionou profundamente D´us, que quis mostrar àquele homem o que o esperava. Então, em uma das meditações do Rav, anjos foram enviados até ele, para que esta vontade do Criador fosse realizada. Eles falaram ao cabalista de sua missão e ele aceitou, com profunda felicidade.

O primeiro lugar onde ele foi levado, foi para as dimensões inferiores, onde lhe abriram uma porta. Era uma sala, onde havia um enorme caldeirão de sopa suculenta e muitas pessoas em volta com muita fome e desespero. Todas elas tinham uma colher na mão, com um cabo muito comprido, onde se podia alcançar o caldeirão, mas não a própria boca. Era muito sofrimento.

Em seguida, ele foi guiado até as dimensões superiores, porém, entraram num lugar idêntico ao primeiro, com o mesmo caldeirão e as pessoas à sua volta com colheres de cabo comprido. Mas a diferença é que todos estavam muito felizes, pareciam realmente saciados.

- Não entendi, disse o Rav.

Um dos anjos sorriu e respondeu:

- Você não percebeu? É porque aqui, elas aprenderam a dar comida umas às outras.

Excelente Início de Semana Para Todos Nós!

Rafael Chiconeli


domingo, 10 de junho de 2012

A OCULTAÇÃO DIVINA


Os sábios cabalistas tiveram como grande mérito, ainda em estado material, vislumbrar altas esferas espirituais e dividir esta experiência conosco, através de suas aulas e escritos. Daí entendemos que a sua percepção transcendeu à um nível que vai além do ser humano comum, possibilitando um estado que podemos chamar de iluminação.

Enquanto não atingimos este nível, estamos restritos ao que podemos captar com os nossos cinco sentidos, o que aliás é muito pouco. Temos desejos que são profundamente espirituais, mas que pela falta de visão, acabamos aplicando em coisas fúteis, que acabam por não nos complementar. O resultado disto é uma busca indiscriminada de preencher algo, que nada material será capaz de preencher.

Costumamos dizer que vivemos a vida, por tudo o que estamos fazendo aqui. Mas para a Cabala, isto não é a vida, não a vida que o Criador planejou para nós. É uma experiência necessária na matéria, que nos coloca na posição de realizar cada vez mais correções, que nos levarão ao Criador.

Há uma ocultação divina em relação à nós, afinal você não enxerga D´us, não se manifesta claramente de uma forma que todas as pessoas se comuniquem com ele. Não é algo acessível para todos e isto a Cabala nos revela que é proposital, afinal não haveria a evolução, se deixássemos nossas tarefas de lado para buscar o Criador o tempo todo.

Então ele está oculto de nós. Isto não significa que estará para sempre, mas que isto nos desafia a realizarmos nossas correções e adquirir cada vez mais equivalência de forma com D´us, que é uma forma de chegarmos até ele, sem renunciar à nossa evolução. Esta é a diferença fundamental.

Os sábios cabalistas nos explicam então, que a Ocultação de Hashem em relação à nós não é ruim, mas um mecanismo útil e benéfico a nós. Somos necessidade de prazer, espera-se que seja gerado em você um desejo novo, o de estar com o Criador, de enxergá-lo, de ser um com ele. 

Ou seja, desejo não só por nos satisfazer, mas pelo próximo, que derrubará todos os véus de ocultação do divino em relação à nós.

Shalom,

Rafael Chiconeli

sábado, 9 de junho de 2012

PALESTRA "INTRODUÇÃO À CABALA" (RJ)








VAMOS TER UMA PALESTRA NO RIO DE JANEIRO - COPACABANA (DIA 19 DE JUNHO) - TERÇA-FEIRA, ÀS 20H. 


O TEMA SERÁ A "INTRODUÇÃO À CABALA" .




- O QUE É CABALA?


- OS PRIMEIROS CONCEITOS


- POR QUE ESTUDÁ-LA?


- GRANDES CABALISTAS


- O ZOHAR


É GRATUITO. QUEM QUISER PARTICIPAR, É SÓ ENVIAR UM E-MAIL PARA: 


rafael@cabalainiciatica.com.br


COM TELEFONE E NOME COMPLETO, QUE PASSAREMOS TODOS OS DADOS CORRETAMENTE.


VAGAS LIMITADAS.


LOCAL: COPACABANA, RIO DE JANEIRO (RJ)


DIA: 19 DE JUNHO (TERÇA-FEIRA)


HORÁRIO: 20H


COM: RAFAEL CHICONELI





sexta-feira, 8 de junho de 2012

PARASHÁ BEHAALOTECHÁ



A Parashá desta semana nos premia com uma fantástica lição sobre maledicência, ao nos mostrar que mesmo após libertos do Egito, muitos filhos de Israel reclamavam da Maná, alegando que na terra de Mizraim de alimentavam melhor: "Mas agora, nossa vida é monótona; nada temos para esperar, exceto o maná!" (Bamidbar 11:4-6). 


Aquele povo havia passado por inúmeras provas, que despertaram inúmeros milagres, numa abertura de portais da consciência. No entanto, esta passagem nos mostra que velhos hábitos são difíceis de combater, quando não infundimos verdadeiramente à Luz da doação em nossas ações. E doação também significa nos entregarmos ao propósito de nossas Neshamot.


O Midrash, nos conta que esta Lashón Hará se originava não do Maná (que tinha o sabor que a pessoa quisesse), mas na disciplina que a Torah impunha. Não dá para você reverter o sentido do egoísmo para a doação se não tiver um direcionamento, esta era só mais uma manifestação do pensamento escravo do egoísmo que se manifestava: "Por que deixamos o Egito?" (ibid. 11:20).


A Cabala nos mostra que este Egito é a manifestação de nossa prisão espiritual, onde o faraó é a representação maior de nosso Ego. Em nossa vida atual, aprendemos que em muitos casos, você pode se libertar de uma situação física, mas de nada adianta se espiritualmente você ainda estiver atrelado ao egoísmo.


Na outra parte desta Parashá, notamos que Myrian comete Lashón Hará contra Moisés, ao comentar indiscretamente com Aron, sobre sua conduta de profeta: "Moisés também poderia viver uma vida normal se assim escolhesse". Ainda assim, o profeta não perdeu seu tempo em contrariar sua irmã, já que sabe que a maledicência em si, anulasse e porque não desejava mal á Myrian.


Ainda assim, a lepra da qual foi acometida Myrian, nos lembra que quem comete Lashón Hará, sempre carrega consigo uma marca profunda e que qualquer tipo de maledicência ou fofoca, sempre retorna ao seu autor (a).


Shabbat Shalom!


Rafael Chiconeli