terça-feira, 23 de setembro de 2014

RAFAEL CHICONELI



QUEM É RAFAEL CHICONELI:

É conferencista, professor e estudioso da sabedoria cabalística, que lidera o Centro de Cabala Iniciática (CCI), grupo de estudos que visa compartilhar com todos os seres humanos a Cabala, com fidelidade às fontes originais que a transmitiram originalmente. Seu trabalho é reconhecido e respeitado em todo o Brasil, pela seriedade culminando em uma série de publicações sobre o tema, com destaque para os livros "Toda a Luz da Cabala" e "Cabala ao Alcance de Todos". 

 

O QUE APRENDEMOS COM  RAFAEL CHICONELI:

A trocar nossos impulsos egoístas e interesseiros, pela vontade de compartilhar. A amarmos o próximo, independentemente de origem, crença, cor ou sexo. Sobretudo, a mostrar que a Cabala é muito mais que uma sabedoria especulativa, mas algo de aplicação prática e que, se seguido, transforma vidas. Aprende-se que a relação entre aluno e professor é mágica e que os ensinamentos bíblicos carregam lições esotéricas profundas, que podem trazer Luz à toda a humanidade.

 

A RELEVÂNCIA DE SEU TRABALHO:

Rafael Chiconeli é jovem em idade física, porém seu trabalho ganhou enorme reconhecimento positivo, pela habilidade em explicar conhecimentos complexos de maneira simples, amorosa e didática. "Falar com almas e não com cérebros", o levou a ministrar conferências em alguns dos seminários mais respeitados sobre o tema, em diversos eventos por todo o Brasil. Também teve a oportunidade de transmitir sua abordagem acerca da mística judaica em entrevistas para diversos órgãos de imprensa.

 

CALÚNIAS E DIFAMAÇÕES:

A internet é um excelente veículo de comunicação, compartilhamento e aproximação entre pessoas. Porém, infelizmente, pessoas mal-intencionadas têm trazido problemas e a regulamentação do mundo virtual ainda está em aperfeiçoamento no Brasil, conforme pudemos testemunhar nos casos "Carolina Dieckman" e "Júlia Rebeca". Além disso, a rede tem inúmeros casos conhecidos e anônimos de crimes contra a honra, que desafiam não só a justiça, mas também as pessoas de bem a unirem-se em prol de uma Internet mais segura.

 

Obviamente que ninguém precisa gostar de tudo e que trabalhos são sujeitos à crítica, desde que os pressupostos constitucionais de respeito e ética sejam mantidos. Como ressaltamos, o trabalho de Rafael Chiconeli é muito respeitado, porém enfrenta ciumeira e inveja em uma minoria que vê o esoterismo como espaço de disputa mercadológica. Estas pessoas põem-se a falar mentiras e a difundir calúnias na internet, com o fim de confundir pessoas inocentes, acreditando na impunidade e que a internet é "Terra de Ninguém".

Algumas destas pessoas tem traços bem destrutivos, é verdade. No entanto, há outros que inocentemente, reproduzem um discurso ao qual foram levados erroneamente a acreditar.

 

AÇÕES DOS DIFAMADORES:

Vão desde posts mentirosos em blogs, uso indevido de imagem, até ligar para espaços onde o cabalista vai palestrar, para fazer ameaças. Enviar mensagens através de perfis "fakes" para pessoas, com calúnias. Estas são as práticas escusas e infantis oriundas das mentalidades mais doentias que a web pode abrigar.

No entanto, Rafael Chiconeli não é o primeiro. Veja as histórias de diversos líderes em várias afirmações da espiritualidade e você perceberá que todos sofreram com a calúnia e a difamação. Este é o preço a ser pago por fazer um trabalho sério, porém, qualquer pessoa com senso crítico, perceberá que providências já foram tomadas e que casos como este já estão sob alçada da Justiça.

 

QUEM PODE ESTUDAR CABALA:

Todo aquele ou aquela que assim tiver vontade, desde que entendendo que Cabala se trata da parte mística da Torá, qualquer visão diferente disso é uma abstração. Segundo grande cabalistas de várias eras, como Rabi Abraham Abuláfia, Rabi Isaac Lúria (Ari), Rabi Moshê Chaim Luzzatto e Rav Yehuda Ashlag o ensino da Cabala de origem judaica é condição essencial para a redenção da humanidade. 

Segundo o Zohar, esta redenção, através da Cabala, é anunciada no próprio Tanach, quando diz o profeta: “não mais precisarão sugerir, cada um a seu vizinho e cada um a seu irmão ‘reconhece o Eterno’, pois todos já Me conhecerão, do mais humilde ao mais destacado” (Yiermiahu 31:33). Fica claro, que segundo esta e outras fontes judaicas que este conhecimento que encherá a terra, está vinculado à revelação da sabedoria cabalística para toda a humanidade.

O grande Ari, citado acima disse no século XVI, que o estudo da Cabala não era apenas desejável, mais um dever para todos: homens, mulheres e crianças de todas as nações. Diversos cabalistas, como o próprio Baal Shem Tov seguiram no mesmo caminho, buscando tornar a Cabala mais acessível de forma que não ficasse somente restrita à círculos de eruditos.

Embora por muito tempo a Cabala tenha sido secreta, está mais do que na hora de revela-la a todos, através da sua sabedoria conforme foi transmitida pelos sábios de Israel em todas as eras. Por isso o grupo de estudos existe, para que a Torá seja estudada, praticada tanto entre o Povo de Israel, quanto às demais nações para que todos possam encontrar a plenitude.

 

COMO PARTICIPAR:

Cabala só se apreende através da transmissão pessoal, por isso, é necessário que haja interação. Como fazer parte disso? Comparecendo, apoiando e participando dos seminários oferecidos pelo grupo de estudos. Nossa meta é expandir este trabalho, para que cada vez mais pessoas possam ser beneficiadas através da sabedoria cabalística. Para saber de nossos eventos, é só enviar um e-mail para ccibrasil@hotmail.com e responderemos assim que possível. Em breve o novo site retornará ao ar e a agenda de seminários do professor Rafael Chiconeli estará disponível.

domingo, 20 de outubro de 2013

PARASHÁ VAYERÁ (AULA 4)



NESTA QUARTA AULA, O CABALISTA RAFAEL CHICONELI UTILIZA AS EXPERIÊNCIAS DO PATRIARCA ABRAHAM, PARA FALAR DOS TESTES QUE CADA UM DE NÓS ENFRENTA NA VIDA.

REALMENTE UMA INTERPRETAÇÃO EXTREMAMENTE MÍSTICA DESTA PASSAGEM DA TORÁ.

PARA CONHECER MAIS SOBRE O PROJETO "CHAVE DA SEMANA", ACESSE O LINK ABAIXO:

LINK DA MINI-AULA: http://www.youtube.com/watch?v=toRFktuVItw

CONTATOS: rafael@cabalainiciatica.com.br

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

PARASHÁ LECH LECHÁ (AULA 3)



NESTA TERCEIRA AULA, O CABALISTA RAFAEL CHICONELI, ADENTRA A EXISTÊNCIA DO PATRIARCA ABRAHAM, REVELANDO A MÍSTICA POR TRÁS DA TRAJETÓRIA DAQUELE QUE ´É CONHECIDO COMO "O PAI DAS TRÊS MAIORES RELIGIÕES MONOTEÍSTAS". IMPERDÍVEL"

PARA CONHECER MAIS SOBRE O PROJETO "CHAVE DA SEMANA", ACESSE O LINK ABAIXO:


CONTATOS: rafael@cabalainiciatica.com.br

sábado, 5 de outubro de 2013

PARASHÁ NOACH (AULA 2)



NESTA SEGUNDA AULA, O CABALISTA RAFAEL CHICONELI, ADENTRA OS MISTÉRIOS DA EXISTÊNCIA DE NOÉ, REVELANDO MUITO ALÉM DE ARCA, ANIMAIS E DILÚVIO.

PARA CONHECER MAIS SOBRE O PROJETO "CHAVE DA SEMANA", ACESSE O LINK ABAIXO:

LINK DA MINI-AULA:  http://www.youtube.com/watch?v=bZw9ty7SVQI


CONTATOS: rafael@cabalainiciatica.com.br

TODA A LUZ DA CABALA PARA VOCÊS!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

PARASHÁ BERESHIT (AULA1)


A CABALÁ VIVE UMA NOVA ERA DE PLENA DIFUSÃO E REVELAÇÃO. É O MECANISMO QUE TEMOS PARA EXPULSAR AS TREVAS DESTE MUNDO. O ESTUDO DA CABALÁ, ATRAVÉS DA REVELAÇÃO DAS VERDADES OCULTAS É O GRANDE ANTÍDOTO PARA A HUMANIDADE.

APROVEITANDO A ENTRADA DE UM NOVO ANO CABALÍSTICO, UMA NOVA INICIATIVA:

- MINI-CURSO DE CABALÁ, ONDE SEMANALMENTE O CABALISTA RAFAEL CHICONELI COMENTA UMA PARASHÁ DA TORÁ.


CONTATOS: rafael@cabalainiciatica.com.br

SHABAT SHALOM!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CABALA E A FOFOCA: O LADO MÍSTICO DA MALEDICÊNCIA


INTRODUÇÃO:

A humanidade já testemunhou inúmeras revoluções existenciais, cada qual em sua característica, trazendo inovações que transformaram para sempre a sociedade de cada época. No começo, a humanidade ignorante competia pela força física e numérica, que por sua vez foi substituída pelas dinastias e a hereditariedade do sangue. O tempo passou, dando seu lugar à força do capital e a ousadia mostrada pelas maiores produções e bens de consumo, até que igualmente isto cedesse lugar às invenções que tornaram tudo mais rápido e prático. Nos dias de hoje, estamos em curso numa nova fase, embora tudo o que citei anteriormente ainda represente poder, nada disso pode ser comparado ao efeito que a comunicação desempenha sobre o ser humano.

As mídias sociais só representam um movimento que é natural ao ser humano, sua voracidade em reter e comunicar coisas e, ao mesmo tempo se relacionar com o próximo. Dentro da Cabala, tudo isto pode ser resumido na faculdade da fala, que não só rege os sons que se deslocam através das bocas, mas também aquilo que digitamos ou escrevemos, que tem igual força tanto na matéria quanto no espírito, dependendo da forma como aplicamos esta faculdade. Principalmente, quando tratamos da Internet, que tem a capacidade de espalhar nossos pensamentos para milhares e até milhões de pessoas em poucos minutos, percebemos o quão sério é o universo da comunicação.

Desde o princípio a Cabala toca neste aspecto da expressão humana, quando na Torá, percebemos que a Obra da Criação se fundamentou de declarações oriundas de D´us e que propiciaram o surgimento da existência até o ponto conhecido por nós. Através do Sêfer Yetzirá (Livro da Criação), percebemos que o Criador unificou as letras do Alef-Bet, à 10 emanações ou recipientes, chamados Sefirot para que Seu poder fosse condensado dos planos superiores, formando os inferiores. Podemos resumir todo este processo, dizendo que D´us empregou as palavras certas em suas declarações e, à partir disto o todo foi se formando, inclusive nós. Afirmamos assim, que somos criados pela "boa fala" ou emprego correto das palavras.

Assim como as palavras têm o poder de gerar o bem, podem gerar o mal. Em Cabala, há um termo hebraico que denomina isto, cujo termo é "Lashón Hará", cuja tradução literal seria "Má língua", mas que têm outros significados mais amplos, como "Maledicência", ou até a popular "Fofoca", que estão vinculados não somente à maneira como se expressa, a fala, mas sim à Kavanná (Intenção) empregada. Por isto, os cabalistas advertem, que não há diferença se o mal é causado de forma escrita ou falada, pois a intenção, é o primeiro elemento identificador. Obviamente que podemos utilizar a expressão de maneira ruim, sem intenção para tal, e neste caso, o segundo elemento identificador se manifesta, que é a forma como o outro foi atingido por aquilo que dizemos ou escrevemos sobre terceiros, o que não exime culpabilidade.

UMA EXPRESSÃO DA ALMA:

Na mística que vivenciamos, aprendemos que a "Neshamá" (Alma) têm três vestimentas, através das quais se manifesta em totalidade neste mundo: Pensamentos, Palavras e Ações. No tratado "Chovot Ha Levovot", aprendemos que "A Boca é o Cálamo do Coração", porque justamente através da expressão da pessoa, conseguimos entender o que se passa em seu interior, pois palavras despejam publicamente o conteúdo da alma de cada um. Logo, na visão cabalística, uma boca que cospe veneno age como como meio de vazão para um coração (alma), que produz veneno. Como o ser humano não é uma cobra ou aranha, seres que vivem existências inteiras portando veneno em seus interiores, é fácil saber que eventualmente, chega uma hora em que a pessoa torna-se incapaz de carregar algo tão nocivo em si, pelas severas consequências oriundas disto.

Assim como são três as vestimentas da Alma, também são três as formas como a Lashón Hará funciona: O primeiro é falar para alguém aspectos negativos de uma pessoa, o segundo, é procurar os outros para lamentações à respeito de si ou de terceiros e o último é a pessoa servir como meio, ou seja ouvir as fofocas e/ou lamentações. Obviamente, podemos entender que isto cria ou círculo vicioso do mal, já que não raramente as pessoas que ouvem uma foca ou lamentação dão continuidade ao mesmo processo, gerando uma energia espiritual extremamente nociva e maligna, não só para quem é alvo, mas, sobretudo para quem as executa e dá vazão.

Há uma ilusão entre as pessoas de acreditar que a maledicência só faz mal àquela pessoa que é alvo, sendo que todas as partes envolvidas numa Lashón Hará são atingidas, principalmente e surpreendentemente àquela (as), que profere (em) e as que dão atenção à mesma. Um exemplo clássico, nós temos através da Torá em "Bamidbar" (Números), através da irmã de Moisés, Miriam, que "falou contra Moisés por causa da mulher Cushita que tomou" (12:01). No caso, ela estava atacando Tziporá (que vinha da terra de Cush, portanto Cushita), que era esposa de Moisés, mas por que o faria? Para ajudar? Alguma razão Virtuosa, podemos presumir... A Gemátria (Numerologia Cabalística), vai nos mostrar, o porque dos ataques:

A Palavra Cushita, assim como toda palavra carrega um valor oculto, que começamos a vislumbrar, quando passamos tudo para o hebraico. כושית, vai ser desmembrada da seguinte forma, sequencialmente da direita para a esquerda: Caf = 20, Vav = 6, Shin = 300, Yod = 10 e Tav = 400, cujo valor total temos 736. Agora, cruzaremos com outra expressão significativa, יפתמראה que também diz respeito à Tziporá e entenderemos a relação numerológica, seguindo a mesma ordem nos trabalhos: Yod = 10, Pei = 80, Tav = 400, Mem = 40, Reish = 200, Alef = 1 e Hei = 5, onde obtemos novamente o valor 736! Em Gemátria, sempre operamos no seguinte sentido: quando duas ou mais palavras têm o mesmo valor numérico, costumamos dizer que a relação entre elas é muito íntima ou que se referem à mesma coisa. Pois bem, esta última expressão hebraica, significa "Vistosa". Ou seja, o motivo de Miriam atacar com fofocas a "Cushita", esposa de Moisés, era por sua beleza, que a incomodava a tal ponto de ela tentar rebaixá-la para se sentir melhor.

Assim, percebemos espiritualmente, que a Lashón Hará é fortemente motivada pela necessidade que a pessoa tem em se sentir importante, identificada com sentimentos como o ódio, o ciúme e a inveja que segundo a mística que estudamos já é por si só, algo autodepreciativo. Isto também é mostrado pelo castigo recebido por Miriam, que após tudo o que fez contraiu Lepra, o que é bastante simbólico, já que nesta "Parashá" (Porção) relata-se que esta doença, fez com que ela ficasse completamente isolada de todo o Povo de Israel. No final, percebemos que o autor da Lashón Hará se auto-pune, porque mesmo aquelas pessoas que escutaram, automaticamente temem, que um dia possam se tornar alvos da pessoa fofoqueira, fazendo com que este isolamento aconteça, transformando-se numa verdadeira Lepra Espiritual (Morte em Vida).

Cabalísticamente, também há uma forte influência nos julgamentos celestiais, já que cada alma passa por uma avaliação onde se é levado em conta a missão proposta e o quanto de Tikkun (reparação) esta alma conseguiu realizar em sua experiência material. Na mística, Samael é o anjo responsável pelas acusações de almas perante o Tribunal Divino, sendo que quando uma ou mais pessoas proferem Lashón Hará de outra pessoa, elas estão fornecendo elementos para que o próprio acuse também SUAS PRÓPRIAS ALMAS. Isto, porque nos escritos de nossos sábios, a Justiça de D´us é perfeita: "Midá Kenegued Midá" (Medida por Medida), o que significa que quanto mais intolerância utilizamos para julgar os outros, mais intolerância será usada em nosso próprio julgamento. No Zohar é dito que Samael utiliza contra o mexeriqueiro EXATAMENTE as mesmas palavras que a pessoa utilizou quando cometeu a Lashón Hará.

SOBRE O ALVO:

Em Cabala outro tema constante é o da permanente comunicação entre as diversas esferas espirituais, a ponto de chegarmos à conclusão que mesmo à distância estas dimensões vivem em profundo ambiente de interação, por intermédio das criaturas que as habitam. É recorrente entre os cabalistas, que nas localidades mais inferiores, onde há a presença de "chispas" do poder criativo de D´us tais habitantes espirituais constituem nos seres mais atrasados da espiritualidade, justamente pelo cultivo de valores como ódio, inveja, ciúme e etc. A Cabala nos ensina que quanto mais revelação do Criador, mais prazer existe, quando mais ocultação dele, mais a dor toma conta, nos levando a entender que nestas esferas inferiores, as criaturas não estão sendo abastecidas suficientemente de energia vital e como não podem obter isto através de D´us, resta travar uma relação parasitária com os seres humanos.

Na verdade a pessoa que se dedica a Lashón Hará, está povoada de vínculo com seres destas dimensões inferiores, obviamente encoberta por Klipót (Cascas), numa relação viciante, tal qual nas histórias de ficção que lemos sobre a pessoa que se tornou obcecada pela mordida do vampiro. Quando a pessoa profere a Lashón Hará, ela se desgasta, doando assim energia vital, o que é rapidamente consumido por estas criaturas que habitam o "Sitra Achrá" (Outro Lado), ou seja, de fato, a pessoa está completamente envolvida por sanguessugas espirituais. Por isto há aquela clássica frase cabalística: "se uma pessoa vem e te bate com um cajado, em quem você revida? Na pessoa ou no cajado?" Em Cabala entendemos que, infelizmente, mesmo quem agride também é vítima.

Daí conseguimos perceber que a maledicência tem Modus Operandi básico, que é a razão óbvia do por quê dos grandes Tzadikim (Justos) serem alvo e dedicarem muitos de seus tratados sobre este tema. A ação de um trabalho em prol do outro, neste mundo sempre traz Luz, fazendo com que haja um canal através do qual o poder proveniente das esferas superiores possa abastecer o mundo material. Obviamente, muitas pessoas se beneficiam de boas ações, mas ao mesmo tempo o impacto do bem, faz com que muitas outras pessoas, que só vêem o lado da notoriedade, acabem por invejar e atacar o trabalho assim como a pessoa que o realiza. No aspecto espiritual, os seres da Sitra Achrá se utilizam deste sentimento para drenar estas pessoas (invejosas) e ao mesmo tempo, ampliar o mau sentimento para que a intensidade da drenagem possa aumentar.

Obviamente, pela interligação entre mundos, as consequências para quem age assim, vão além das questões espirituais e sociais, chegando claramente à atuação física, já que toda alma e corpo humanos têm vínculo direto com a mecânica da "Etz Chaim" (Árvore da Vida). A Sefirá vinculada à retificação da expressão humana, está em Malchut, que é a esfera onde há mais possibilidade de instabilidade e más consequências, dependendo de nossas ações. O eminente cabalista Rabi Nachman de Breslav (de abençoada memória) em seu Likutey Moharan nos previne das péssimas consequências oriundas da Lashón Hará, em várias regiões do corpo físico. Já Rav Brandwein (de abençoada memória) as aprofunda: Câncer (geralmente nas regiões da Boca, Língua e/ou Garganta), problemas no Coração, Diabetes, Hemorragias que são males que eventualmente levam adeptos da prática à morte prematura. 

E o que acontece com um Tzadik? Suas lições são de grande valor para nós, por isso, cito sempre as histórias de Rav. Brandwein (de abençoada memória) que foi imensamente difamado na comunidade judaica e fora dela, pelo trabalho de disseminação que desenvolvia com a Cabala, visando fazer dela uma ciência ao alcance de toda a humanidade.  Ele dizia claramente que tudo "faz parte do propósito", e se um trabalho tem a chance de fazer com que pessoas possam adentrar na senda da Cabala e/ou da boa espiritualidade, toda oposição que se originar daí merece ser vivida. Isto porque a Cabala nos ensina a lidar com esta e qualquer situação, através do refinamento entre palavras e ações, quanto mais trabalhamos em prol do outro, menos ego existe e quando menos ego, menos a Lashón Hará faz efeito.

SHMIRAT HA LASHÓN:

Literalmente significa "Guardar a Língua", quando entendemos que aquilo que falamos, pensamos e escrevemos também pode ser aplicado de maneira imensamente divina. Esta alquimia é vivenciada, quando pronunciamos uma Brachá (Bênção) sobre o vinho, que faz com que a bebida seja santificada e elevada para algo além do prazer mundano, mas para santificação do Criador, o que significa um elemento para revelar mais Luz à este mundo. Assim, as palavras podem fazer milagres, como eliminar o desespero, aproximar as pessoas, revelando assim o verdadeiro vínculo entre o ser humano e a sua essência divina. Por isto, a boca e suas extensões, como as mãos que utilizamos para dar vazão ao intelecto definem o tipo de ser humano que somos.

A Cabala nos ensina, que Guardar a Língua é nos calarmos, ao invés de proferirmos palavras contra o outro. Muitas vezes nos voltamos para os defeitos do próximo, porque é uma maneira que temos de nos sentirmos superiores, por isto, nos centramos no que é extremamente negativo, revelando igualmente e, sem perceber, o nosso pior lado. Por isto, aprendemos que nosso dever é flagrar qualidades no outro e, ao nos deparar com situações como acontecimentos desfavoráveis das outras pessoas, contra a nossa vontade, temos que sempre emitir um impressão favorável, através do atributo Chéssed (Misericórdia), que simboliza a disponibilidade de doar, no trato com o outro. Ou seja, nestes assuntos, devemos sempre buscar razões para perdoar o outro, o que pelo princípio de Midá Kenegued Midá, fará com que o Criador Julgue ao piedoso "como uma criança" (Talmud - Shabat 151b) : com amor, piedade e compreensão.

Então, o Shmirat Ha Lashón nos permite realizar algo incrível, como reunir as centelhas, que estão temporariamente separadas com a ilusão do individualismo exacerbado pela dedicação ao ego, manifestado na vontade de ser melhor que o outro. Isto acontece porque os atos divinos de refinar nossa língua e tudo o que expressamos faz com que enxerguemos o melhor que há nos outros, possibilitando a "entrada" de D´us nos relacionamentos que travamos. Isto se caracteriza num crescimento vertiginoso do amor, respeito e compreensão entre as pessoas, o que automaticamente as eleva, e possibilita cada vez mais ao ser humano grande controle sobre seus impulsos e a superação dos defeitos. Isto por si só é grande "Mercavá" (Carruagem Divina), que desvela todos os véus que nos impedem de enxergar a beleza e perfeição deste mundo que D´us criou para nós.

Finalmente, o ser humano sempre deve buscar pronunciar "Lashón Tov", ou boas palavras porque é um mecanismo possível de realizar por qualquer ser humano em sua tarefa de se elevar. Através deste hábito, mesmo quando precisamos repreender alguém, a pessoa sente a doçura do que é dito e a verdadeira Kavanná em contribuir com a sua melhora, seguindo a ética determinada pelos grandes sábios, sempre em particular, cara a cara, entre as duas pessoas envolvidas. Mas não só neste caso, as palavras positivas também podem servir no nosso trato com doentes, com famintos e os pobres, pois o Talmud assim nos diz: "Aquele que doa ao pobre recebe seis berachot (bênçãos), enquanto que aquele que lhe dá atenção e o anima com boas palavras recebe 11". Isto nos leva a entender, que pelo Lashón Tov,  nos tornamos um meio de transmitir a vontade do Criador.

PRÁTICAS CABALÍSTICAS:

Em nossa vivência, nos grupos de estudo, desenvolvemos e utilizamos inúmeras práticas que lidam com esta situação. O Hitbodedut cabalístico, permite que a pessoa acesse a essência de seu ser, rompendo com os chamados "gargalos" de comunicação interna. Há  Tehilim (Salmos) específicos que quando recitados com a Kavanná precisa, trazem efeitos maravilhosos. Além disso, há caminhos mais profundos, através dos ensinamentos dos grandes Chafetz Chaim e Rabi Nacham de Breslev (Ambos de abençoada memória), que deixaram práticas extremamente valiosas para eliminar os males da Lashón Hará, tanto para aqueles que proferiram, quando àqueles que foram alvo.

Mas antes disso, há uma sugestão inicial: experimente ficar um dia sem falar mal dos outros, assim como não dar atenção ao que as pessoas comentam de mal sobre os outros. Após este primeiro dia, vá aumentando gradativamente em horas e dias, até que você vai perceber a imensa limpeza interior que isto causa e jamais voltará aos mexericos, nem sentirá nada, caso seja vítima deles :)

Agradeço aqui todo o carinho de nossos leitores!

Rafael Chiconeli















sábado, 27 de julho de 2013

AS CHAVES DA CABALA



Há de se saber que para cada empreendimento, há um objetivo final a ser alcançado, caso o contrário, todo o esforço feito não terá valido de nada, transfigurando-se em energia aplicada em vão. Mas sabemos que com o aprendizado e aprofundamento na ciência cabalística, no universo e nos mundos supernos, nada de fato é em vão. Pois ainda que haja um enorme gasto de energia da parte de uma pessoa, isto não evita que forças invisíveis acabem por se utilizar daquele esforço vital, de forma parasitária, conforme aprendemos, através da atuação empregada pelas forças Klipóticas (As Cascas).

Por isto, em Cabala, trabalhamos para com que nossos objetivos sigam de mãos dadas com a "Kavanná" (Intenção Focada), que há de guiar nossos esforços rumo aos nossos objetivos finais. Em última instância, o cabalista que se preza faz com que suas ações sempre o encaminhem para a "Devekut" (Adesão Total ao Criador), mas em nossas vidas existem objetivos menores, que agem como caminho para este objetivo final, que são a glória dos ensinamentos que recebemos das gerações mais remotas, até os dias de hoje.

A Cabala em si, se manifesta de inúmeras formas, mas em seu final, não passam de divisões de um mesmo todo, pois consideramos que tudo provém de uma unidade maior, o que nos faz entender que dualidades ou divisões só se tornam existentes por aqui, enquanto que nos mundos superiores tudo se unifica sob a vontade do Criador. Porém, na nossa esfera de atuação, cada forma de se vivenciar da Cabala, vincula-se à visão de certos mestres, assim como as diversas formas de "Kelim" (recipientes ou vasos), que se referem à capacidade que cada alma têm de reter certo conteúdo de iluminação, conhecimento e percepção.

Então, há a chamada "Cabala Teórica", que se resume ao estudo da ciência mística, passando por seus grandes mestres, em grande parte de forma especulativa. As práticas se resumem mais a um uso psicológico dos elementos cabalísticos, trazendo um entendimento intelectual das qualidades das letras hebraicas, assim como a adoção das Sefirot, como um elemento de mudança de comportamento e emprego de um rígido código de conduta. A ênfase maior em práticas místicas seria empregado dentro do serviço religioso, através de "Hitlahavut" (Entusiasmo), permitindo um maior encontro do ser com o Divino. Neste aspecto há uma forte influência do Chassidismo, o que não significa que seus mestres não conheçam maneiras mais avançadas de se vivenciar o "encontro com o divino", mas que esta seria a forma ideal para que todo ser humano convivesse com a Cabala.

Temos também a "Cabala Extática", que embora esteja associada muito fortemente com os estudos e práticas do Rabi Abraham Afuláfia, teria suas raízes em práticas muito antigas, relacionadas aos patriarcas bíblicos, além dos maiores profetas que a humanidade conheceu. Suas experiências estão fundamentadas no próprio ser humano como um "canal" de habitação de D´us, por onde o "Shêfa", ou "Influxo Divino" transcorre trazendo experiências profundas de "Ruach Hakodesh" (Inspiração Divina), onde a capacidade de percepção e aprendizado são aceleradas, até a Profecia, onde o cabalista torna-se o meio através do qual o Divino se manifesta na Terra. Dentro desta escola há um papel místico empregado nas letras hebraicas, vinculadas à Nomes Divinos, assim como "Tzerufim" (Permutações de letras) ou fórmulas de recitações que evocam estes estados de consciência alterados. Aqui também existe uma divisão clara entre cabalistas que trabalham com as letras do Alef-Bet e aqueles que preferem o caminho das Sefirot da "Etz Chaim" (Árvore da Vida).

Além destas, há a misteriosa "Cabala Prática ou Maassit", que surge como o aspecto verdadeiramente mágico da Cabala, geralmente sendo ocultado pela imensa maioria dos sábios, mas que pode ser acessada através de vários elementos, levando-se em conta a perseverança do buscador. Primeiramente, através de um mestre cabalista, obviamente, mas isto não exime outras formas de apreensão, como aconteceram a cabalistas de todas as eras. Há também escritos antigos, como "Charba Demoshe" (A Espada de Moisés), "Sêfer Harazim" (Livro dos Segredos), entre outros, que concedem chaves para esta parte da Cabala, tal qual dizia o grande Rabi Yossef Tsayach: "Mais do que eu escrevi, o inteligente entenderá". 

Não é de admirar que esta forma de emprego da Cabala seja guardado à sete chaves, ao ponto de muitos cabalistas chegarem a declarar a Cabala Maassit esteja morta ou que seja inacessível nos dias de hoje. Porque sua utilização está vinculada à alteração de situações, muitas vezes mudando o curso das ações ou alterando a normalidade das coisas, exercendo influência sobre o andamento das leis naturais, o universo e até as instâncias superiores agindo através de "Malachim" (Anjos), "Shedim" (Demônios), e acessando conhecimentos estruturais sobre a arquitetura utilizada por D´us em sua obra de construção. Daí surgem as histórias sobre "Golens" e como "Shlomo HaMelech", ou o Rei Salomão exercia seu poder, para controlar seres de outras esferas e obter deles poder, que inclusive foi utilizado na construção do Templo de Jerusalém.

Claro que ao escrever este texto e abordar todas estas coisas, tudo parece muito irreal, mas se citarmos outras práticas, conseguimos enxergar que a Magia na Cabala é algo bastante real. Sabemos que a Torá e os demais escritos sagrados nos revelam códigos, onde podemos ter uma maior compreensão da mistica que envolve o nosso mundo, podendo acessar as camadas superiores do Intelecto Divino. Poderíamos citar neste texto inúmeras passagens Bíblicas, Talmúdicas, Midráshicas, sem falar nos livros clássicos da Cabala que comprovam esta tese, mas este texto tem a intenção de ser mais acessível às pessoas por isso, prefiro abordar questões claríssimas, para evidenciar o quanto a Maassit é real no ponto de vista cabalístico.

Quando observamos o "Yom Kippur" (Dia do Perdão), na época em que havia o Templo de Jerusalém, o "Cohen Gadol" (Sumo Sacerdote) trancava-se no Santo dos Santos e lá encontrava-se "cara à cara" com a "Shechiná", a Presença Divina, onde obtinha o perdão para todos os pecados cometidos pelo povo judeu. Onde enxergamos o poder de influência do ser humano, em coisas do Divino. Da mesma forma, há uma subdivisão da Maassit dedicada à talismãs, que concedem qualidades especiais, certos poderes de proteção e que ampliam a capacidade de poder do cabalista para certas práticas. Neste aspecto muitos objetos utilizados pelo Judaísmo hoje, podem ser dotados de características mágicas como Tefilin,  Tzitzit, Mezuzá, Talit, entre outros. Mesmo uma "Brachá" (Bênção Cabalística) dependendo da forma como é proferida, pode ser enquadrada nesta categoria.

Afora tudo o que foi colocado, o mais importante no final das contas, seja lá qual abordagem for adotada, é o "Hamschachá", ou resultado espiritual que será obtido através da prática, já que sempre estará associado à Intenção aplicada. Como dito acima, nenhuma visão da Cabala é superior à outra, apenas as diferenciações de emprego servem para se ajustar aos diferentes recipientes (almas), sedentos de proximidade com o espiritual. Assim, podemos entender, que cada forma de se vivenciar a Cabala, está diretamente ligada à capacidade intelectual e espiritual que aquela pessoa tem de absorver tais ensinamentos e, por isso, durante a história houveram inúmeros mestres e práticas, para que tais necessidades da alma pudessem ser satisfeitas, cada qual ao seu nível e ao seu tempo de maturação. 

Desejo ardentemente que possamos cada vez mais, abrir portas. 

Cordialmente,

Rafael Chiconeli