sexta-feira, 8 de junho de 2012

RELAÇÃO MESTRE-ALUNO





Para o desenvolvimento e aprendizado dentro da Cabala, que é autêntica e vivencial, sobretudo sempre haverá uma relação profunda e fundamental para que haja plenitude: a relação mestre-aluno. Vemos que D´us foi o primeiro mestre cabalista, já que disseminou este conhecimento entre os primeiros seres e depois dele se seguiu uma linhagem de grandes instrutores de nossa sabedoria mística.

Você pode ler milhões de livros, assistir outros vários vídeos à respeito de cabala e ter instruções através de sistemas aleatórios que jogam a informação de maneira genérica. Daí, você tem aprendizado, você tem saber e entendimento, mas não tem a vivência, por não ter um componente fundamental, que é a relação entre Mestre e Aluno.

O grande autor do Zohar Rabi Shimon bar Yochai teve dois tipos de mestre: o presencial, através de Rabi Akiva e também o espiritual, pois na época de seu exílio recebeu as visitas e instruções de seu Maggid (mestre espiritual), o grande profeta Elyahu. A partir daí, teve as instruções para que ele mesmo desenvolvesse o mestrado.

Hoje, a Cabala está muito mais disseminada do que jamais esteve, mas existe uma coisa que é insubstituível: a relação entre mestre e aluno, que significa o supra-sumo do espírito de doação, na transmissão da Cabala. Todas as instruções cabalísticas são predicações do amor.


Como costumo dizer o mestre não realiza a sua iniciação, pois isto é impossível, somente o aluno pode se iniciar na Cabala. Mas cabe ao mestre as instruções, o auxílio no caminho e a rota que o aluno irá seguir. O mestre já enfrentou os desafios que o aluno enfrentará, por isso não só o instrui, mas lhe dá a mão, para que possam percorrer este caminho.


A relação Mestre e Aluno é algo tão bonito, que Rabi Shimon bar Yochai até a define assim no Zohar: "A instrução que um professor dá a seu aluno os aproxima um do outro e da Natureza (O Criador)".


Fraternalmente,


Rafael Chiconeli

quinta-feira, 7 de junho de 2012

CURA ATRAVÉS DA CABALA



A Cabala nos mostra o poder da cura e eu pude presenciar isto em inúmeras situações de vida. A atuação, utilizando-se de nossa sabedoria milenar traz conforto não só para questões físicas, mas para mentais e espirituais. Neste ponto, os grandes sábios viam com fundamental a "Kavannah" (intenção focada) e a entrega dos envolvidos para qualquer tipo de Cura.

Não há cura se você não é capaz de acreditar nela, a cura superior é a da Alma. Para a Cabala as verdadeiras e mais complicadas doenças se originam na Neshamah e nós as criamos por intermédio de nossas próprias atitudes.

A Cabala nos ensina que a palavra raiz da palavra hebraica que dá origem a "Chal", "doença" tem sentidos variáveis, porque com um complemento "Chayil", também pode significar "força". Ou seja, a doença é um estado intermediário entre a Vida e a Morte, está exatamente no Caminho do Meio.

A essência da criação é obter o prazer, mas não os prazeres meramente mundanos e sim os divinos. Quando nos afastamos demais da "fonte" que verdadeiramente nos alimenta, nós possibilitamos em nós a instalação de "Chal" que também pode se traduzido como "amargor", que abre as portas para a doença.

Ainda assim, há a possibilidade para cura, quando a alma, acredita e deseja verdadeiramente a conexão com este prazer superior que provém do Criador. Esta cura, vai depender da retificação ao que anima a alma e a leva para o prazer maior, abandonamos então o "Kelipat Noga", estado de intermediário entre revelação e ocultação. Então este amargor é substituído pela doçura.

Recuperar-se da doença é renascer, a Cabala provê diversas formas  para que possamos afastar nossos males, sabendo que a origem dos maiores desafios em termos de Cura nascem nas nossas almas. 


Shalom,


Rafael Chiconeli






quarta-feira, 6 de junho de 2012

A LUZ E O RECIPIENTE


A Cabala tem definições simples sobre nós, seres humanos e sobre o Criador. Para ela, Ele é doação, enquanto nós, somos recepção o que logicamente nos coloca na situação de ramos, que estão interligados e, em última instância, atrelados à uma raiz superior que chamamos de D´us.

A partir daí, podemos entender que em nossa existência manifestaremos desejos que estão totalmente de acordo com a nossa natureza. Somos "um recipiente", então manifestaremos durante nossa existência este desejo de receber. Para a Cabala assim que chegamos aqui, manifestamos duas formas de desejo: a de ter prazer e a de não sofrer.

D´us nos vê exatamente assim, como seres de desejo. Qual seriam as semelhanças e diferenças entre um cientista que pesquisa em busca da verdade, um assaltante de bancos e uma criança que faz bagunça em tudo e leva os pais à loucura? Para a Cabala a resposta é bem simples.

O que iguala todos estes três é seu desejo por prazer. O cientista busca a verdade e pode querer o bem, através disto, mas o faz, porque sente prazer. O bandido assalta um banco, porque o que ele quer é o prazer que advém disso, não o de assaltar o banco, mas o prazer que retirará do dinheiro. Já a criança que faz bagunça tem o prazer imenso em revirar as coisas.

Qual seria a diferença entre elas? Segundo a Cabala está na Kavannah ou intenção. O cientista pode estar buscando a verdade para fazer o bem às pessoas e a crianças está bagunçando, mas não tem consciência total do que faz, ela só quer se divertir. Já o bandido, busca o seu prazer de uma forma ilegal e que atinge diretamente as outras pessoas.

Os sábios cabalistas nos explicam que sempre que agimos um cálculo na velocidade de Luz acontece em nossas mentes. Sempre agimos buscando o máximo de prazer, ou o mínimo de nosso sofrimento. É  natureza inicial, é a nossa primeira busca e a nossa razão inicial. Mas isto se transformará.

O que a Cabala faz é transformar, para que possamos ter o prazer definitivo através da doação. É revelar o DNA de D´us em nós, transformando nossos desejos egoístas em desejos altruístas, logo extraindo o máximo de prazer. O prazer definitivo que nos coloca próximos ao Criador.

Shalom,

Rafael Chiconeli

terça-feira, 5 de junho de 2012

CABALA E CONSCIÊNCIA


O processo iniciático da Cabala está diretamente ligado à nossa consciência e a ampliação da mesma. Falamos em uma das sintonias que está ligado á algo que é acima de saber ou entender, significa vivenciar, que é quando enxergamos sua magnitude e nos orientamos em direção ao Criador.

Buscar este algo à mais é elevar a percepção e fazer isto, é o mesmo que ter acesso á um conhecimento que está restrito à pouquíssimas pessoas neste mundo. Isto porque as pessoas estão direcionando seus desejos para coisas unicamente materiais, das quais não tiram satisfação e entendem que quanto mais têm mais querem, e que quanto mais querem, mais insatisfeitas ficam.

O objetivo do aprofundamento na Cabala é revelar o Criador, que como já conhecemos é fonte de todo o amor e também de onde provém toda a harmonia. Se aproximar do Criador, significa caminhar até ele, através da ação, ou o ato de compartilhar. Disto, sentimos uma profunda conexão com aquele que nos fez e com as demais criaturas que dividem esta existência conosco.

Quando me referi no último artigo que D´us quer uma morada nos mundos inferiores, não significa inferioridade no sentido como os seres humanos conhecem. Esta inferioridade está ligada aos níveis espirituais que nos distanciam do Criador, que Ele está disposto a eliminar. Ou seja, ele quer estar conosco, mas também precisamos querer estar com ele.

É preciso despertar em nós o ponto, o desejo legítimo de revelar o Criador, até que isto aconteça verdadeiramente, só nos resta o mundo material e suas instabilidades. Isto não significa que a materialidade seja má, mas que obtemos plenitude nesta existência quando infundimos espiritualidade nela.

Um ótimo dia para todos!

Rafael Chiconeli

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O PODER DO AMOR


A Cabala nos ensina que o amor é a força motriz do mundo. Segundo ela, os minerais, animais, plantas e diversos aspectos do universo se interconectam através do amor, remetendo-se diretamente à sua origem, que está no Criador. Afinal D´us é a essência do verdadeiro amor, através de seu ato de criação.

Os sábios cabalistas nos afirmam que nossa existência é uma comunicação entre as raízes e os ramos, o que significa que nós somos uma ramificação de algo que tem uma origem mais elevada. Tudo o que temos aqui é apenas o efeito de uma causa que provém das esferas mais elevadas.

Amar é se elevar, porque não só nos aproxima de D´us, mas faz com que nos elevemos até Ele. Quando você ama, você está acessando um campo que lhe permite sentir em aspecto humano aquilo que emana do Criador. Por isto, a Cabala acredita que os seres humanos não inventam algo, mas através de uma percepção elevada, conseguem trazer à si coisas das esferas elevadas.

Ou seja, o ser humano não cria o amor, mas adere à ele. Por isso, faz-se uma analogia entre esta força e a água, pela capacidade que este mineral tem de aderência, de trazer e unir outros elementos, além da força de suas correntezas. O Midrash nos conta que "D´us queria uma morada nos mundos inferiores", ou seja, que apesar de sua elevação ele quer aderir à nós.

Ao mesmo tempo, espera-se que os seres humanos queiram a mesma coisa. O que nos ensina, que quem ama deve "descer" até o ser amado. Isto significa que devemos nos aproximar, para que esta energia possa completar plenamente o "recipiente". 

Aprendemos a partir daí, que amar é não se isolar, é abandonar nossa Torre de Marfim, que é a representação do ego, para que possamos de fato exercer o poder do amor, que tudo aproxima, realiza e faz.

Um Excelente Início de Semana para Todos!

Shalom,

Rafael Chiconeli




sábado, 2 de junho de 2012

O ZOHAR



Hashem brindou a humanidade com grandes mestres, cujo papel é fazer com que entendamos o sentido místico que as escrituras escondem. Chamamos de "Sod" a parte oculta que se busca revelar, sendo que a Cabala nos passa estes ensinamentos de boca à ouvido de gerações em gerações.

A importância do Zohar, ou "Livro do Esplendor", está justamente na maneira como Rabi Shimon bar Yochai nos transmite a parte esotérica contida na Torah. Em Cabala, costumamos dizer que os grandes mestres atingem níveis superiores de percepção e dividem suas experiências com seus semelhantes e discípulos.

Embora o Zohar tenha sido escrito em aramaico e hoje contemos com traduções em inglês e em outras línguas ele ainda é profundo demais. Mesmo se você é fluente em inglês e não é versado em Cabala não conseguira entender muito. Isto se explica pelo fato de sua linguagem ser profundamente espiritual, a língua em que está escrita, foi somente uma maneira de transmitir, mas o entendimento só acontece pela equivalência de forma entre o mestre e o leitor.

O que significa que para entender perfeitamente os escritos cabalísticos, precisamos entender a língua que estes mestres falavam. Por isso é necessária a relação entre mestre e discípulo para que haja um entendimento pleno da cabala, mais que entendimento a vivência, que é o que traz todos os benefícios.

Rabi Shimon bar Yochai nos transmitiu em seu Zohar os mistérios das almas, do amor, dos sonhos, dos anjos e da natureza divina. Ainda há muito mais que foi revelado por lá e nisto está a grande mágica da Cabala. 

Ela é um convite, um desafio de crescimento para nossas almas, á medida que vamos nos elevando degrau a degrau em sua vivência.

Shalom,

Rafael Chiconeli


sexta-feira, 1 de junho de 2012

SABER, CONHECER OU VIVENCIAR CABALA?


O conhecimento cabalístico hoje em dia é muito mais difundido, está além do que jamais se compararmos com o passado. Isto tem um propósito, já que sempre foi falado entre os sábios que haveria uma era de abertura maior, onde as pessoas teriam mais discernimento para receber a Cabala.

Hoje, inúmeras pessoas adentram os portais, buscando respostas, que sem dúvida a Cabala pode proporcionar, mas a questão é que elas estão adentrando ainda com a visão puramente científica das coisas. Isto envolve a experimentação, através das ciências que nos são conhecidas,o que diverge da Cabala.

A Cabala é uma ciência, mas é a ciência das ciências, e isto fica evidenciado. Um exemplo do nível de entendimento cabalístico, pode ser fornecido através do exemplo que o amor nos concede. À medida que falarmos dele, vamos entender o que buscamos quando nos relacionamos à um processo iniciático.

Todos "sabem" o que é o amor, pois já viram algum filme romântico. Também "entendem" o que é amor, por conhecer pessoas que amam e ver os processos que se desencadeiam para que isto ocorra. Mas existe um nível superior, que é vivenciar: você vivencia o amor, quando ama e sente o que acontece com você, à medida que passa pela experiência nova que é estar verdadeiramente apaixonado.

O mesmo acontece com a Cabala. "Saber" Cabala, muitas pessoas já têm esta noção. "Entender", alguns entendem, conhecem os livros e os processos de estudo. Mas a grande beleza da Cabala é vivenciar, é fazer parte do processo, é mais do que isso, é sentir em você.

Sentir é a maior das certezas, é a conexão com Ohr Hassidim (a Luz da Fé).

Shabbat Shalom,

Rafael Chiconeli